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Eleições antecipadas na Dinamarca em plena crise gronelandesa

Eleições antecipadas na Dinamarca em plena crise gronelandesa

Quatro milhões de dinamarqueses votam a 24 de março em eleições antecipadas, por decisão da primeira-ministra, Mette Frederiksen, que deverá colher frutos eleitorais da condução da crise em torno da Gronelândia.

Lusa /
Tom Little - Reuters

Cerca de 4,3 milhões de dinamarqueses são chamados a votar em eleições antecipadas na próxima terça-feira. A votação foi anunciada pela primeira-ministra, Mette Frederiksen, menos de um mês antes, a 26 de fevereiro, numa sessão do parlamento dinamarquês.

De acordo com a lei dinamarquesa, Frederiksen tinha até ao final de outubro de 2026 para marcar eleições, uma vez que essa data marca quatro anos após as últimas legislativas no país escandinavo.

Analistas e comentadores políticos têm qualificado a antecipação das eleições e o reduzido tempo de campanha como uma estratégia de aproveitamento da popularidade que a condução da crise em torno da Gronelândia granjeou a Mette Frederiksen e ao seu partido, os Social-Democratas, de centro-esquerda.O partido da primeira-ministra tem surgido sempre à frente. De acordo com os dados agregados pelas ‘polls’ do jornal POLITICO, permanecem em primeiro lugar destacado, com 20% das intenções de voto, seguidos da Esquerda Verde, com 13%, e da Aliança Liberal, com 11%, segundo dados atualizados na última segunda-feira, 16 de março.

Os parceiros de coligação do atual Governo, que vão a votos separadamente, o Partido Liberal e os Moderados, surgem em quarto lugar e nono lugar, respetivamente.

O Partido Liberal, com 10% das intenções de voto, é liderado pelo atual vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa, Troels Lund Poulsen.

Os Moderados, com 6%, tem como líder o ministro dos Negócios Estrangeiros, Lars Lokke Rasmussen, que tem desempenhado um papel de destaque na crise gronelandesa, tendo estado em Washington em janeiro para negociações com a administração Trump.

Após dois meses de atenção mediática internacional, o reino da Dinamarca, que inclui os territórios autónomos Gronelândia e Ilhas Faroé, atravessa agora uma campanha focada nos temas domésticos.

O interesse dos Estados Unidos na Gronelândia continua presente, mas a economia e as condições de vida é que têm estado no topo da agenda de campanha.

Entre os temas mais debatidos está a reposição de um imposto sobre grandes fortunas, que tem gerado acesso debate na Dinamarca. A proposta partiu da primeira-ministra, logo no início da campanha eleitoral, e tem merecido fortes críticas dos partidos da direita e dos empresários.

Entre os jovens, as preocupações concentram-se no clima e ambiente, de acordo com um estudo da empresa Epinion para a rádio pública dinamarquesa.

A qualidade da água e as condições em torno da criação de porcos, um dos mais importantes setores económicos no país, têm também ocupado espaço na campanha.

Os Social-Democratas e Mette Frederiksen governam a Dinamarca desde 2019, contando já com dois mandatos, o primeiro como governo minoritário com apoio parlamentar da esquerda e o segundo numa coligação centrista.

O segundo mandato foi marcado pela crise diplomática criada pelas pretensões de Donald Trump em torno da Gronelândia, um território autónomo do Reino da Dinamarca, que subiram de tom no início deste ano. Mette Frederiksen procura agora assegurar um terceiro mandato.

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